Depois de Agora e Lá

2003 

Impressão Fotográfica.

Dimensões Variáveis

 

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100 cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100 cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100 cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100 cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 70 x 100cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 100 x 150cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 100 x 150cm.

Depois de Agora e Lá, 2003.
Depois de Agora e Lá, 2003.

Fotografia. 100 x 150cm.

José Bento Ferreira

 

Imagens difusas, nas quais se vai reconhecendo sombrios vestígios urbanos, como o reflexo da estrutura de um edifício, ou o vulto vasto de um passante, parecem irradiar da chapa de alumínio a que Dália Rosenthal as relaciona na exposição Depois de Agora e Lá. Este confronto entre minério e luz havia sido empregado pela artista em recente exposição no Centro Universitário Maria Antônia, quando fotos feitas a partir de um trem rumo à periferia foram associadas a cobre e latão para exprimir o sentimento de regresso, cristalizado pela frase final do monólogo que conclui Ulisses, de James Joyce.

Desta vez, Dália retoma Joyce pela passagem de Retrato do Artista quando Jovem em que o protagonista Stephen Dedalus, com dificuldade de aprender nomes de lugares distantes para uma lição de geografia, lê a seqüência de palavras que anotara na apostila, com seu nome, o nível da sua turma, nomes da sua escola, da sua cidade e assim por diante, até o Universo, relendo-a depois no sentido inverso.

 

Diante do cruzamento destas referências, as diversas perspectivas nas quais o olhar se pulveriza em meio à vertigem da vida na metrópole afirmam-se inscritas na liga metálica da chapa de alumínio, metal impuro, assim como Dedalus se descobre inscrito na infinitude cósmica. Por sua vez, as imagens foram feitas a partir da filmagem realizada pela artista durante uma incursão sem rumo pelas avenidas da cidade de São Paulo.

 

Imagens congeladas de um filme, não buscam deter a torrente vertiginosa do tempo, pelo contrário, inscrevem-se em outro tempo, diverso da temporalidade linear que caracteriza as situações cotidianas da cidade. Paralizadas e rompidas, tudo se passa como se as imagens fossem devolvidas ao seu próprio tempo presente quando a artista lhes investe de uma existência pictórica, como se a vida pudesse ser redimida pela arte.

 

Ao negar a concepção linear do tempo nos textos Sobre o Conceito de História, Walter Benjamin formula a idéia de "Jetztzeit", o "tempo-agora", algo como um campo de presença formado pela constelação de tempos que se presentificam: "A história é objeto de uma construção cujo lugar não é preenchido pelo tempo homogêneo e vazio, mas pelo tempo-agora". Não há melhor descrição para a constelação formada por Dália Rosenthal do que estas idéias de Benjamin sobre o tempo da vida moderna.

 

A chapa de alumínio a que as imagens convergem surge como expressão máxima da idéia de "tempo-agora", nela são devolvidas ao mesmo campo de presença de que sempre partilharam, mas no qual se desencontravam, isoladas uma da outra pela sucessividade do filme, ou pela brutal sucessividade do tempo vazio que a vida moderna impõe.

A imbricação entre a luz das imagens, o minério impuro do alumínio e as palavras vivas da linguagem literária, é marca da arte de Dália Rosenthal, que assume mais uma vez, como diz Benjamin, "a consciência de romper o continuum da história".